Visitantes

Eu amo montanhas

Eu amo montanhas
Montanhas...

Welcome to Vinicius Montgomery Blog

Você é sempre bem-vindo. Deixe seus comentários, críticas construtivas e sugestões. Volte sempre. Muito Obrigado.



You´re always welcome. Let your comments, positive critics and suggestions. Please come back soon. Thank you very much!

Pesquisar este blog

Isaías 9.6.

Um menino nos nasceu, um filho se nos deu, e o principado está sobre os seus ombros, e seu nome será: Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da eternidade, Príncipe da Paz.
Mostrando postagens com marcador Brasil. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Brasil. Mostrar todas as postagens

sábado, 19 de julho de 2025

Significado do Sobrenome Montgomery de Miranda

 Desde que me conheço por gente, gosto de lugares altos, de olhar o horizonte, de ver o pôr-do-sol. Após ter feito mais de 200 subidas ao longo de 25 anos posso dizer que sou uma das pessoas que mais gostam de montanhas, de fotografar o relevo, especialmente do Sul de Minas e da região da Mantiqueira.

O mais interessante é que um certo dia, conversando com meu querido, falecido pai, Adílio R.C. de Miranda, ele me disse que puxei ao meu avô: Francisco C. de Miranda. Segundo meu pai, meu avô também gostava muito de observar, admirar as montanhas do Sul de Minas. Junto ao meu pai, já admirei a Pedra de Santa Rita do Rio Manso e comentamos a respeito de sua imponência.

A Pedra do Rio Manso é o ponto mais elevado do município de Itajubá, com 1.910 m de altitude. Vista da estrada de Maria da Fé e observada de diversos pontos distantes, essa Pedra também já fora admirada pelo meu avô.

Pedra do Rio Manso (1.910 m)

Certo dia, pesquisando o significado e a origem dos sobrenomes, olha a surpresa! Não pode ser só uma coincidência.

Miranda

O sobrenome Miranda tem origem toponímica e está associado a diversas localidades na Península Ibérica — especialmente na Espanha e em Portugal — chamadas Miranda. Ele deriva do latim "mirandus", que significa admirável, maravilhoso ou digno de ser visto. A palavra vem do verbo latino "mirari", que significa admirar-se, olhar com surpresa.

Miranda pode ser interpretado como "lugar elevado com boa vista" ou "lugar digno de ser admirado".

Toponimamente, era usado para identificar pessoas originárias de cidades chamadas Miranda (por exemplo, Miranda de Ebro, na Espanha, ou Miranda do Douro, em Portugal).

Fonte: https://sobrenomes.genera.com.br/


Com meu pai, "seu" Adílio R.C. de Miranda


Pedroso

O sobrenome da família da minha mãe é Pedroso, que infelizmente não está no meu nome, mas não deve ser mais uma coincidência! Vamos aos registros!

O sobrenome Pedroso deriva do nome próprio Pedro, que tem etimologia latina (Petrus), significando "pedra" ou "rochedo" Significado dos Nomes e Sobrenomes+10Dicionário de Nomes Próprios+10nomorigine.com+10. O sufixo “‑oso” em português indica abundância ou pertencimento, conferindo ao sobrenome o sentido de “cheio de pedras” ou “originário de local pedregoso”.

Vejam que Pedroso também tem tudo a ver com Pedra, com montanha de Pedra.

Trata-se de um sobrenome toponímico: usado por pessoas originárias de localidades denominadas “Pedroso”, como antiga freguesia em Vila Nova de Gaia, Portugal, cuja denominação advém do latim petrosus (pedregoso)

Montgomery

O sobrenome Montgomery foi adotado pelo meu pai, em apoio ao meu avô Francisco, estudioso da II Guerra Mundial e admirador do General inglês Montgomery, mas vejam só a origem de sobrenome Montgomery.

O nome se originou de localidades na Normandia, especificamente Saint‑Germain‑de‑Montgommery e Sainte‑Foy‑de‑Montgommery, cuja denominação deriva do francês antigo Mont Gomeris ou Gumerich’s Hill, isto é, “colina de Gumaric”, um nome germânico que combina guma (“homem”) e ric (“poderoso”).

O primeiro titular identificado foi Roger de Montgomerie, conde normando que participou da Conquista da Inglaterra em 1066 e se tornou o 1.º Conde de Shrewsbury, dando seu nome à região de Montgomeryshire, no País de Gales Surnames Database+4Wikipedia+4Your Roots+4.

No século XII, membros da família chegaram à Escócia, estabelecendo-se principalmente em Renfrewshire como o Clan Montgomery nomorigine.com+6Wikipedia+6Nameopia+6

Em contextos irlandeses, o sobrenome foi gaelicizado como Mac Iomaire ou Mac Gumaraid Wikipedia+9Wikipedia+9Y

Montgomery figura entre os sobrenomes mais comuns nos Estados Unidos, ocupando posição relevante nos censos de 2010 (~115 000 portadores registrados) Name Census.

É considerado um sobrenome tradicional de ascendência inglesa, escocesa ou irlandesa, presente em países de língua inglesa e outros como Austrália, Canadá e Nova Zelândia.

A família Montgomery destacou-se como aristocracia normanda da Inglaterra medieval e Escócia, controlando vastas propriedades e envolvendo-se em questões nobiliárquicas desde o período da Conquista Normanda Venere.

Figuras ilustres incluem o general revolucionário norte-americano Richard Montgomery, e o marechal britânico Bernard Montgomery, comandante aliado na Segunda Guerra Mundial.

Na estátua do Montgomery (Londres, 2016).

É exatamente por tudo isso que não deve ser coincidência que eu aqui no Sul de Minas, Itajubá, goste tanto de montanhas.


domingo, 6 de junho de 2021

Pedra Aguda - Itajubá - MG

 A Pedra Aguda talvez seja a montanha mais visitada de Itajubá. O tempo de subida até o topo da Pedra Aguda se faz em aproximadamente 2 horas, a partir do final do bairro Anhumas. Depois de passar pela estrada de terra (não é possível subir de carro comum e há uma porteira com cadeado), chega-se na entrada da trilha pela mata, à esquerda do bambual. A subida é bastante íngrime e deve ser feita com cuidado. É preciso levar água (pelo menos 1,5 litros). O visual de lá de cima é fantástico. Avista-se Itajubá, de frente, e algumas outras cidades mais distantes. No começo da manhã é possível visualizar a beleza da Serra da Pedra Amarela, da Pedra do Rio Manso. No pôr do sol é surpreendente a beleza do horizonte e do skyline de Itajubá. Algumas fotos a seguir mostram um pouco de toda essa beleza.


O Sol pouco antes de se por...

Momento final do dia.


Sol escondido nas nuvens.

Luzes se acendendo em Itajubá.

A bandeira mineira e a cidade de Itajubá...

O caminho da subida.


Paisagem do caminho.

O primeiro visual das montanhas na direção norte.


sexta-feira, 12 de setembro de 2014

O Brasil e o ciclo de autossabotagem

O Brasil e o ciclo de autossabotagem
Vinícius Montgomery de Miranda
                                                                                                             
O psicanalista norte-americano Stanley Rosner, co-autor do livro O ciclo da Autossabotagem, afirma que todos os seres humanos têm padrões de repetição, que embora irracionais, ocorrem sem grandes consequências. Entretanto, existem repetições que podem levar à destruição da própria vida, além de comprometer a vida alheia. Essa psicopatologia pode ocorrer no relacionamento entre pais e filhos, entre cônjuges e no ambiente de trabalho. O livro de Rosner relata histórias de pacientes que tiveram parte importante de suas vidas desperdiçadas pela insistência em agir em ciclos negativos que sabotam toda possibilidade de alcançar a felicidade. O grande problema de quem está preso no ciclo da autossabotagem é não perceber a realidade. Nesse caso, o indivíduo prefere acreditar que a insatisfação sentida ao não conseguir realizar seus planos é fruto de fatores externos. Essa negação da realidade o faz seguir em frente, sempre sofrendo.
O Brasil e muitos países da América Latina parecem presos em um ciclo de autossabotagem. Não conseguem transformar suas imensas riquezas naturais em qualidade de vida para a sua população. Preferem culpar a “exploração” dos Estados Unidos ou dos países ricos a enfrentar suas mazelas com coragem. Senão, como explicar que um país campeão de produtividade no campo, deixe de exportar seus produtos por falta de infraestrutura adequada? Por que as invasões de lavouras produtivas praticadas pelo MST recebem apoio, se essas lavouras geram empregos, renda e exportações para o país? Por que, apesar do futebol vistoso praticado nos gramados país afora, os campeonatos mais ricos estão na Europa, para onde os talentos brasileiros se mudam ainda muito jovens? Por que apesar do discurso de que é preciso valorizar a educação, as práticas de avaliação do desempenho do professor e meritocracia na definição dos seus salários, consagradas em todo mundo, é veementemente repelidas pelos sindicatos da categoria? As respostas para essas e muitas outras contradições presenciadas no dia a dia do brasileiro encontram explicação no ciclo de autossabotagem.
Na transposição do Rio São Francisco, por exemplo, desde 2007 foram investidos R$ 8,2 bilhões, sem que a obra fosse concluída. Há erros no projeto e na execução da obra. Parte do leito do canal construído já apresenta rachaduras que exigirão mais investimentos para a correção do problema. Na Ferrovia Norte-Sul, outra importante obra de infraestrutura que seria capaz de baratear a exportação de soja e outras commodities, foram investidos, desde 1988, R$ 5,1 bilhões. Se concluída, essa ferrovia tornaria os produtos agrícolas do Brasil imbatíveis na competição internacional. Porém, 26 anos após o início da obra, a ferrovia não transportou sequer um carregamento de soja, mas já apresenta problemas nos trilhos e nos taludes em função da ação do tempo. Novamente há erros de projeto e execução. Esses são apenas dois exemplos em meio a centenas de obras inacabadas, mal projetadas, ou que apresentam desvio de recursos e superfaturamento. O Brasil parece ter prazer em desperdiçar oportunidades de se tornar um país desenvolvido.
Na economia, o ciclo virtuoso que aumenta a produção e gera riqueza depende do aumento de produtividade e dos investimentos. Sem uma infraestrutura adequada de produção e de logística para escoar produtos com rapidez e baixo custo, não é possível aumentar a produtividade. Então, os custos se elevam e os lucros são corroídos pelo desperdício de tempo e de energia. As obras de infraestrutura que poderiam aumentar a produtividade da economia do país não saem do papel ou são mal geridas. Há que se perguntar então, como os demais países conseguiram resolver essa questão? A China, por exemplo, país de dimensões continentais comparáveis ao Brasil, apostou na parceria com a iniciativa privada para modernizar sua infraestrutura. Aqui o governo insiste em acreditar em um modelo econômico ultrapassado no qual é o Estado quem deve controlar o funcionamento da economia. Nem a China comunista acredita mais nesse modelo.
Há no Brasil uma iniciativa privada com capacidade técnica e avidez por fazer investimentos nos setores de ferrovia, rodovia, portos, aeroportos, saneamento básico e todo tipo de infraestrutura. Se esses investimentos ocorressem, o país daria um salto gigantesco em direção a realização de seu potencial. Milhares de novos empregos seriam gerados, o conhecimento técnico da construção de grandes obras seria transmitido para as futuras gerações, o custo logístico do país seria reduzido e o produto brasileiro se tornaria mais competitivo disparando investimentos em outros setores da economia. O aumento da produção contribuiria ainda para elevar a oferta de produtos e serviços, corrigindo o desequilíbrio atual entre a oferta e a demanda agregada. Os preços se tornariam mais acessíveis, reduzindo a inflação. A população de baixa renda seria a maior beneficiada com o aumento de seu poder de compra e as inúmeras oportunidades de trabalho nas obras de infraestrutura. Daí sim, haveria uma distribuição de renda mais equilibrada e menor dependência da assistência estatal.

As soluções para os grandes problemas da economia do país, portanto, existem. Há competência suficiente para transformar o Brasil no país dos nossos sonhos. É necessário, porém, quebrar esse ciclo de autossabotagem. Para tanto, é preciso reconhecer que a cultura do jeitinho, do improviso e da malandragem, ao contrário do senso comum, não é uma vantagem. Existe uma ciência econômica e uma ciência administrativa que precisam ser valorizadas e colocadas em prática, mesmo que isso contrarie interesses. A história mundial ensina que não se constrói uma grande civilização cerceando a liberdade de pensamento e de criação dos seus cidadãos, em benefício do controle estatal exercido por governantes iluminados, que apresentem solução para todos os males do país. Nos países onde a qualidade de vida é superior, as liberdades individuais são respeitadas. A ciência e o saber são valorizados. Os governantes são democraticamente escolhidos e sua autoridade tem limites impostos pela lei. Nesse caso, não se admite governantes despreparados e com supostos poderes messiânicos para resolver os problemas da sociedade. A história contará quantas gerações o Brasil ainda levará para atingir o estágio de desenvolvimento que merece. Quem viver, verá.

sábado, 18 de maio de 2013

O Brasil e a armadilha da renda média


O Brasil conseguirá escapar da armadilha da renda média?
Vinícius Montgomery de Miranda
                                                                                                             
A renda per capita é um dos mais importantes indicadores econômicos de riqueza de uma nação por captar a força do poder aquisitivo de sua população. Esse indicador é obtido dividindo-se o Produto Interno Bruto (PIB), que é a soma da riqueza gerada por um país durante um ano, por sua população. Segundo o Banco Mundial, são considerados países de renda média aqueles que possuem a renda per capita entre US$ 4.000 e US$ 12.000. Em 40 anos, o Brasil saltou de uma renda per capita de um pouco mais de US$ 3.000, no início da década de 1970, para aproximadamente US$ 11.500 em 2010.
Diversos fatores contribuíram para explicar a verdadeira transformação pela qual o Brasil passou nessas quatro décadas. Entre eles a redução da taxa de natalidade, a urbanização e a maior escolarização da população são fatores relevantes. Porém, nada foi tão importante quanto o Plano de Ação Econômica do Governo (PAEG), arquitetado por Roberto Campos e Otávio de Gouveia de Bulhões no governo de Castelo Branco. Esse plano foi responsável pela modernização das instituições e por preparar a infraestrutura que permitiu ao Brasil crescer acima de 8% ao ano desde a metade da década de 1960 até o final da década de 1970. Os choques do Petróleo, o descontrole dos gastos governamentais e a inflação fizeram o crescimento cair drasticamente nas décadas seguintes.
Em um artigo do economista brasileiro Otaviano Canuto e do professor Richard-Agénor da Universidade de Manchester, os autores afirmam, porém, que a mesma estratégia utilizada pelo Brasil e demais países para escapar da pobreza não funciona para torná-los países de renda elevada. É o que os economistas chamam de armadilha da renda média. Isto é, os países que atingem esse nível de renda já não conseguem mais competir com os países de renda baixa, na produção de produtos de menor valor agregado, por terem custos de mão de obra mais baixos. Tampouco conseguem competir com os países de renda elevada, na produção de produtos sofisticados, já que estes exigem alto grau de especialização e tecnologia. Dessa forma, os países de renda média se caracterizam por apresentarem baixo crescimento de produtividade e uma parcela muito pequena de profissionais de alta qualificação focada na produção de produtos inovadores.
Se o Brasil quiser escapar dessa armadilha, será preciso romper com as amarras que seguram a produtividade de sua economia, que segundo estudo de economistas da Fundação Getúlio Vargas (FGV), cresceu apenas 11,3% (menos de 1% ao ano) entre 1992 e 2007. Novamente o país se depara com a necessidade de reformas estruturais que reduzam o tamanho do Estado e estimule o investimento privado. Se assim o fizesse haveria melhoria na infraestrutura, aumento da eficiência produtiva e finalmente, aumento da competitividade do produto brasileiro. Estaria aberta a passagem para o investimento em uma educação de qualidade e na tecnologia de ponta. Essa foi a receita adotada por países como Coreia do Sul e Japão para entrar no clube dos países ricos. Esse é o caminho que a China começou a trilhar há algumas décadas. O que está faltando ao Brasil para dar esse passo? Falta planejamento e vontade política. Por enquanto, conforme entrevista do economista indiano ao site UOL, autor do livro “Os Rumos da Prosperidade”, faltam ao Brasil estrutura e ambição para se tornar um país rico.

sábado, 24 de novembro de 2012

O Capital Social e a geração de riqueza.


O Capital Social e a geração de riqueza
Vinícius Montgomery de Miranda

Segundo o filósofo e economista norte-americano Francis Fukuyama, o capital social de uma nação é o conjunto de normas que promove a confiança e a reciprocidade entre os agentes econômicos. Da mesma forma que o capital físico (máquinas, equipamentos e infraestrutura de produção) e o capital humano (escolaridade e capacitação da mão de obra), o capital social é um fator relevante no desenvolvimento de um país. Isso ocorre porque quanto maior a disponibilidade desses três tipos de capital, maior a produtividade da economia. O antropólogo Ignacio Garcia confirma a importância do capital social ao afirmar que organizações com elevado nível desse capital desenvolvem um ambiente de intensa cooperação. A confiança e a cooperação estimulam o surgimento de inovações e da transmissão do conhecimento entre gerações. Ou seja, um país com elevado nível de capital social tende a ser mais inovador e mais eficiente.

Por outro lado, Furlanetto na Revista de Sociologia e Política (2008) afirma que a interação de capital social e instituições determina o nível de eficiência da economia. Isto é, economias com elevado grau de capital social e instituições fortes apresentam menores custos de transações. Por isso há nelas, maior facilidade de negócios, maior competição entre empresas, mais inovação e crescimento econômico. Qual a situação do Brasil diante desse quadro? A Revista Exame de 3 de outubro de 2012 traz como reportagem de capa, a disparidade de produtividade entre o trabalhador brasileiro e o norte-americano. Segundo a revista, o trabalhador brasileiro gera, em média, um quinto da riqueza gerada pelo americano. O que explica tamanha disparidade? As deficiências no capital social e nos demais fatores. Perde-se produtividade, diminuem as possibilidades do país se tornar rico.

Os países campeões de produtividade são os que têm maior capacidade de inovação. Acontece que a inovação é tal qual uma semente, que para brotar precisa de um ambiente propício. O Brasil sai perdendo por ser muito burocrático e por possuir leis que atrasam a tomada de decisão empresarial. Apesar de a sociedade ter consciência da necessidade das reformas modernizantes, o governo e o Congresso insistem em medidas que produzem resultados apenas no curto prazo. Para não perder votos, o Congresso torna-se refém dos interesses das minorias. Não se discute a legitimidade desses interesses, mas quando eles prevalecem sobre o interesse coletivo, há uma diminuição no capital social do país. Ao longo do tempo esse modus operandi tende a se cristalizar, gerando o sentimento de que o importante é sempre obter vantagem, independente do bem comum. 

É esse o motivo pelo qual países africanos e árabes encontram tanta dificuldade em se desenvolver. Cada grupo na tentativa de se fazer prevalecer gera conflitos que turvam o ambiente de negócios.

No Brasil as leis não são alteradas para tornar o país mais competitivo e mais moderno. São feitos remendos que as tornam mais confusas e menos transparentes. Esse ambiente de baixa credibilidade e de falta de confiança nas instituições afasta investidores. Gera menos inovação, menos empregos e menos riqueza. Todos saem perdendo.

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

O Papel do Governo nas Economias Modernas



                                                                                                          
As crises econômicas internacionais reacenderam um debate que parecia não mais fazer sentido: qual o modelo econômico produz mais bem-estar social, o de maior presença do Estado na economia ou o de Estado mínimo? O crescimento vigoroso da China nas últimas duas décadas e as crises na Europa e nos Estados Unidos parecem comprovar que um Estado mais influente produz melhores resultados. Será? Como já fora abordado anteriormente, as crises econômicas sempre existiram. Quando elas ocorrem, os países afetados modificam leis e regulamentos para tornar suas economias mais resistentes a novas crises. Ainda assim, elas se sucedem como as gripes, cujos vírus se modificam e mesmo com vacinação e precaução, continuam afetando as populações de forma ininterrupta.

As crises se agravam por produzirem um clima de insegurança e elevada percepção de risco. O empresário posterga investimentos e o cidadão reduz seu consumo. A solução passa então, pela intervenção do governo restabelecendo a confiança dos agentes econômicos (política conhecida como anticíclica). As economias modernas aprenderam, entretanto, que passada a crise, o Estado deve voltar ao seu papel regulador de criar as regras do jogo e permitir a competição entre empresas. Essa competição leva à redução de preços e à criação de inovações, melhorando a vida das pessoas. Não existe país do mundo que tenha melhorado as condições de vida de seus cidadãos, abrindo mão da competição. Nem a China.

O Brasil infelizmente ainda hesita entre qual modelo econômico adotar. A economia brasileira tem se modernizado a passos lentos, principalmente quando comparada a países asiáticos. O Estado brasileiro é pesado e ineficiente. Ele não tem capacidade de investir em infraestrutura para aumentar a produtividade de empresas e cidadãos. Não investe e não abre espaço para as empresas privadas fazê-lo. Ele suga parcela significativa da poupança privada que deveria ser canalizada para os investimentos. Sem investimentos, não há modernização. Sem uma infraestrutura moderna e reformas que reduzam a burocracia, os custos se elevam. Fica muito difícil competir com os asiáticos. Empresas e pessoas perdem tempo e dinheiro em filas. Em plena era digital predomina a papelada. A qualidade de vida se deteriora em trânsito ruim, insegurança, educação e saúde precária. O Brasil continua sendo o país do futuro e nunca do presente. 

terça-feira, 28 de agosto de 2012

As Instituições e o Desenvolvimento das Nações


As Instituições e o Desenvolvimento das Nações
Vinícius Montgomery de Miranda
                                                                                                             
Faz muitos séculos o homem se pergunta por que alguns países se enriquecem e outros se mantêm imersos na pobreza. Em 1776, o filósofo escocês Adam Smith publicou a obra A Riqueza das Nações, cujo objetivo era exatamente investigar tal questão. Smith concluiu que a riqueza das nações resultava da atuação dos indivíduos que movidos por interesses próprios promoviam o crescimento econômico e a inovação tecnológica, gerando um ciclo virtuoso que impulsiona o desenvolvimento. Por suas ideias Smith tornou-se conhecido como o pai da economia moderna e um dos principais defensores do capitalismo.
É inegável que o capitalismo faz gerar riquezas, promovendo o crescimento econômico e o desenvolvimento das nações, mas o economista norte-americano Douglass North afirma que nenhum país consegue crescer de forma consistente por um longo período de tempo, sem que antes desenvolva de forma sólida suas instituições. Instituições são as regras do jogo para o correto funcionamento da economia. Portanto, para que um país tenha instituições fortes é preciso uma legislação clara que garanta os direitos de propriedade e que impeça o desrespeito aos contratos. Para isso é necessário um sistema judiciário eficaz e ágil, além de agências regulatórias firmes e atuantes. North afirma que só assim, um país pode estar preparado para dar o salto para o desenvolvimento.
Historicamente, o primeiro país a perceber a força das instituições no desenvolvimento econômico foi o Reino Unido, quando a Revolução Gloriosa de 1688 acabou com o absolutismo e o parlamento britânico aprovou a Bill of Rights, a declaração a partir da qual nenhum governante poderia estar acima das leis. Com as regras do jogo estabelecidas e com o individualismo consentido, prosperou a ciência, a inovação e o desenvolvimento econômico que fez do Reino Unido e depois dos Estados Unidos potências econômicas e países desenvolvidos. A pergunta que fica é: estaria o Brasil preparado para o salto do desenvolvimento?
Dica de leitura sobre esse assunto: Livro Why Nations Fail de Daron Acemoglu e James Robinson.

Artigo publicado no Jornal O Sul de Minas em 14 de Julho de 2012. Edição Nº 3.506.

terça-feira, 14 de agosto de 2012

A Privatização e o Complexo de Coitadinho do Brasileiro


A Privatização e o Complexo de Coitadinho do Brasileiro

                                                                                                             
Na psicologia, o complexo de vítima (ou de coitadinho) é a patologia na qual o indivíduo tende a culpar os outros por suas mazelas. Desse complexo vem a impressão absurda de que os outros é que estão sempre errados. Isso causa cegueira e destroi a autocrítica. O brasileiro por questões históricas e culturais se acostumou a culpar os outros pelo seu fracasso. Renato Russo muito inteligentemente captou a contradição entre o que o brasileiro pensa e suas atitudes quando compôs a música Que País é Esse em 1978. Como é possível acreditar no futuro da nação se ninguém respeita a Constituição?

No ranking global de competitividade, dentre 142 países analisados, o Brasil está entre os 25 com pior qualidade de infraestrutura de estradas, portos e aeroportos. O consultor de logística e infraestrutura da Confederação Nacional de Agricultura (CNA), Luiz Fayet afirma que a infraestrutura brasileira está estagnada e em deterioração. Para recuperá-la é preciso muito investimento. O governo federal, apesar da carga tributária de aproximadamente 40% do PIB (uma das mais altas do planeta), não tem recursos para investir. Se a arrecadação é tão elevada e o investimento é insignificante, é fato que há ineficiência na gestão.  Por exemplo, não é recomendável que haja gastos tão elevados com pessoal (acima de 60% da receita líquida) e com previdência e assistência social. Para resolver essa questão é preciso executar as reformas há muitos anos prometidas. Até que elas saiam do papel, por que o governo não abre espaço para a iniciativa privada investir já que não tem recursos para fazê-lo?

A iniciativa privada é muito mais eficiente e tem a técnica e os recursos necessários. O governo não lhe dá espaço por que privatizar, erroneamente, virou sinônimo de “entregar o patrimônio” ao estrangeiro, na mente do brasileiro complexado. Se até a China comunista privatiza e desfruta de seus benefícios, por que o Brasil não pode fazer o mesmo? Em um trabalho acadêmico na Revista Brasileira de Economia, o professor da USP Roberto Macedo analisa o desempenho de empresas brasileiras privatizadas e não deixa dúvidas de que elas se tornaram muito mais lucrativas e operacionalmente mais eficientes. Apesar das evidências e dos exemplos incipientes adotados no próprio país e no exterior, a grande maioria ainda pensa que privatizar é ruim. Infelizmente, enquanto persistir a falta de conhecimento da população e a esperteza de alguns políticos, o brasileiro continuará reclamando de estradas esburacadas, enfrentando aeroportos saturados e culpando os outros pela sua vida sofrida.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Brasil um país que NUNCA vai dar certo

Esse país não é uma nação. É cada um por si. São 190 milhões de gersons. Trabalhar e estudar pra quê? Tudo é possível para os amigos do Rei. Pobre país. O honesto e o batalhador trabalha e paga imposto e o "coitadinho" que não quer levantar cedo, não quer trabalhar nem estudar, recebe a assistência social...

domingo, 12 de setembro de 2010

Artigo do presidente Fernando Henrique no Estadão

Fernando Henrique vai direto ao ponto em outro artigo antológico:


‘Democracia é o governo das leis, e não das pessoas’

Neste domingo, a inteligência e a dignidade do ex-presidente Fernando

Henrique Cardoso iluminaram a edição dominical do Estadão. Leiam o que

escreveu o chefe de governo que tivemos. Ouçam o que anda dizendo o

chefe de governo que temos. Imaginem o que serão quatro anos com Dilma

Rousseff ouvindo ordens de Lula e ideias sopradas por dirceus,

paloccis, collors e sarneys. Pensem no Brasil. E lutem. Como ensina

FHC, eleição se ganha no dia.



Bom domingo. E boa leitura:





Vivemos uma fase de democracia virtual. Não no sentido da utilização

dos meios eletrônicos e da web como sucedâneos dos processos diretos,

mas no sentido que atribui à palavra “virtual” o dicionário do

Aurélio: algo que existe como faculdade, porém sem exercício ou efeito

atual. Faz tempo que eu insisto: o edifício da democracia, e mesmo o

de muitas instituições econômicas e sociais, está feito no Brasil. A

arquitetura é bela, mas quando alguém bate à porta a monumentalidade

das formas institucionais se desfaz num eco que indica estar a casa

vazia por dentro.



Ainda agora a devassa da privacidade fiscal de tucanos e de outras

pessoas mais mostra a vacuidade das leis diante da prática cotidiana.

Com a maior desfaçatez do mundo, altos funcionários, tentando elidir a

questão política – como se estivessem tratando com um povo de parvos

-, proclamam que “não foi nada, não; apenas um balcão de venda de

dados…” E fica o dito pelo não dito, com a mídia denunciando, os

interessados protestando e buscando socorro no Judiciário, até que o

tempo passe e nada aconteça.



Não tem sido assim com tudo mais? O que aconteceu com o “dossiê”

contra mim e minha mulher feito na Casa Civil da Presidência da

República, misturando dados para fazer crer que também nós nos

fartávamos em usar recursos públicos para fins privados? E os gastos

da atual Presidência não se transformaram em “secretos” em nome da

segurança nacional? E o que aconteceu de prático? Nada. Estamos todos

felizes no embalo de uma sensação de bonança que deriva de uma boa

conjuntura econômica e da solidez das reformas do governo anterior.



No momento do exercício máximo da soberania popular, o desrespeito

ocorre sob a batuta presidencial. Nas democracias é lógico e saudável

que os presidentes e altos dirigentes eleitos tomem partido e se

manifestem em eleições. Mas é escandalosa a reiteração diária de

posturas político-partidárias, dando ao povo a impressão de que o

chefe da Nação é chefe de uma facção em guerra para arrasar as outras

correntes políticas. Há um abismo entre o legítimo apoio aos

partidários e o abuso da utilização do prestígio do presidente, que,

além de pessoal, é também institucional, na pugna política diária.

Chama a atenção que nenhum procurador da República – nem mesmo

candidatos ou partidos – haja pedido o cancelamento das candidaturas

beneficiadas, se não para obtê-lo, ao menos para refrear o abuso. Por

que não se faz? Porque pouco a pouco nos estamos acostumando a que é

assim mesmo.



Na marcha em que vamos, na hipótese de vitória governista – que ainda

dá para evitar – incorremos no risco futuro de vivermos uma simulação

política ao estilo do Partido Revolucionário Institucional (PRI)

mexicano – se o PT conseguir a proeza de ser “hegemônico” – ou do

peronismo, se, mais do que a força de um partido, preponderar a figura

do líder. Dadas as características da cultura política brasileira, de

leniência com a transgressão e criatividade para simular, o jogo

pluripartidário pode ser mantido na aparência, enquanto na essência se

venha a ter um partido para valer e outro(s) para sempre se opor, como

durante o autoritarismo militar.



Pior ainda, com a massificação da propaganda oficial e o caudilhismo

renascente, poderá até haver a anuência do povo e a cumplicidade das

elites para com essa forma de democracia quase plebiscitária.

Aceitação pelas massas na medida em que se beneficiem das políticas

econômico-sociais, e das elites porque estas sabem que nesse tipo de

regime o que vale mesmo é uma boa ligação com quem manda. O “dirigismo

à brasileira”, mesmo na economia, não é tão mau assim para os amigos

do rei ou da rainha.



É isto que está em jogo nas eleições de outubro: que forma de

democracia teremos, oca por dentro ou plena de conteúdo. Tudo o mais

pesará menos. Pode ter havido erros de marketing nas campanhas

oposicionistas, assim como é certo que a oposição se opôs menos do que

devia à usurpação de seus próprios feitos pelos atuais ocupantes do

poder. Esperneou menos diante dos pequenos assassinatos das

instituições que vêm sendo perpetrados há muito tempo, como no caso

das quebras reiteradas de sigilo. Ainda assim, é preciso tentar

impedir que os recursos financeiros, políticos e simbólicos reunidos

no Grupão do Poder em formação tenham força para destruir não apenas

candidaturas, mas um estilo de atuação política que repudia o

personalismo como fundamento da legitimidade do poder e tem a

convicção de que a democracia é o governo das leis, e não das pessoas.



Estamos no século 21, mas há valores e práticas propostos no século 18

que se foram transformando em prática política e que devem ser

resguardados, embora se mostrem insuficientes para motivar as pessoas.

É preciso aumentar a inclusão e ampliar a participação. É positivo se

valer de meios eletrônicos para tomar decisões e validar caminhos. É

inaceitável, porém, a absorção de tudo isso pela “vontade geral”

encapsulada na figura do líder. Isso é qualquer coisa, menos

democracia. Se o fosse, não haveria por que criticar Mussolini em seus

tempos de glória, ou o Getúlio do Estado Novo (que, diga-se, não

exerceu propriamente o personalismo como fator de dominação), e assim

por diante. É disso que se trata no Brasil de hoje: estamos decidindo

se queremos correr o risco de um retrocesso democrático em nome do

personalismo paternal (e, amanhã, quem sabe, maternal). Por mais

restrições que alguém possa ter ao encaminhamento das campanhas ou

mesmo as características pessoais de um ou outro candidato, uma coisa

é certa: o governismo tal como está posto representa um passo atrás no

caminho da institucionalização democrática. Há tempo ainda para

derrotá-lo. Eleição se ganha no dia.