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terça-feira, 6 de março de 2018

Baixa produtividade da economia brasileira e o caminho para a prosperidade


A produtividade é considerada uma das variáveis mais importantes nos estudos de economia (a ciência da escassez). Ela é definida como a relação entre o valor dos produtos e serviços produzidos em um processo produtivo, e os insumos (matérias-primas, mão de obra, energia e outros) utilizados na produção. Em outras palavras, a produtividade é a medida da competência de uma organização em transformar insumos em bens finais que atendam às necessidades de seus clientes. Essa transformação decorre do encadeamento de atividades que modificam e recombinam materiais, alteram suas propriedades e incrementam o valor de seu subproduto. Logo, sem transformação não seria possível agregar valor ao produto, que é imprescindível para atrair a atenção do consumidor. Afinal, ele paga um preço pelo bem adquirido, em troca do valor daquilo que resolve o seu problema ou satisfaz sua necessidade. Como os consumidores são diferentes e apresentam diferentes necessidades e desejos, o valor atribuído aos bens que consomem difere de consumidor para consumidor. É exatamente essa subjetividade na atribuição de valor que estimulou o economista austríaco Carl Menger a desenvolver a Teoria da Utilidade Marginal. Nessa teoria, Menger explica que o valor dos bens não depende da complexidade de sua produção ou da quantidade de insumos utilizados para tanto, mas sim da utilidade atribuída ao bem pelo comprador final.

Por outro lado, ao se analisar o processo de transformação de uma organização, é possível observar que além das atividades que transformam insumos, há também aquelas que, apesar de gerarem custos, não agregam valor. São atividades como o set up de máquinas, o transporte de materiais e a manutenção dos estoques, que embora sejam inerentes ao processo produtivo, não produzem transformação. Cabe então à gestão da organização, repensar e remodelar o processo produtivo, ou aplicar novas tecnologias (a automação, por exemplo) a fim de minimizar ou eliminar essas atividades, o que garante o aumento da produtividade do processo. É certo, entretanto, que os ganhos de produtividade das organizações trazem uma gama de benefícios para empresas, consumidores e a sociedade em geral. Para a organização, esses ganhos resultam na expansão do lucro, uma vez que processos de maior produtividade utilizam menor quantidade de insumos (custos) para a mesma produção (faturamento), ou obtêm maior produção, para um menor ingresso de insumos. Esses lucros, oriundos da produção mais eficiente, frequentemente são reinvestidos na ampliação da produção, na sofisticação do processo de produção, na criação de novos produtos ou na busca de novos mercados, o que gera maior concorrência entre empresas. É aí que o consumidor se beneficia; por poder contar com uma maior oferta e variedade de produtos, além da maior qualidade e do menor preço encontrado.

As demais empresas também se beneficiam pelo maior poder aquisitivo do consumidor, diante de preços mais acessíveis; resultado da combinação de maior eficiência produtiva e concorrência. Quando isso ocorre, há um aumento geral do nível de renda da economia do país e o aumento da qualidade de vida é sentido em todas as classes sociais, especialmente naquelas de menor renda. Porém, nas sociedades e nos setores onde há maior intervenção estatal, a redução dos preços não é experimentada e não há sequer estímulo para que se busque o aumento de produtividade. Pelo contrário, passa valer mais a pena tentar algum tipo de proteção estatal (protecionismo) que signifique vantagem competitiva em relação à concorrência interna e externa. Toda e qualquer disposição para a inovação e a excelência dão espaço para a letargia. O ímpeto empreendedor perde espaço para a indolência e a dependência do Estado.

Para que os benefícios da maior produtividade resultem em aumento da renda e maior qualidade de vida, é importante, portanto, que o empreendedor tenha liberdade para empregar a tecnologia que julgar mais adequada, para contratar a mão de obra mais produtiva pelo menor custo, e para buscar as parcerias que considerar necessárias. Assim, torna-se possível reduzir custos e dividir com a sociedade os ganhos de produtividade, em um cenário de concorrência aberta. Naturalmente, haverá empresas com diferentes níveis de eficiência no processo de transformação de insumos, conforme a competência de sua gestão e o maior ou menor grau de sofisticação desse processo. Inevitável, portanto, que as empresas menos eficientes, sem a artificial proteção do Estado, percam espaço para aquelas que utilizem recursos escassos de forma mais competente. Assim, a falência de empresas menos eficientes não somente é algo natural, como desejável, uma vez que possibilitaria a transferência de recursos para empreendimentos mais saudáveis e promissores.
É nesse contexto que os autores de economia neoclássica colocam o aumento da produtividade como a única fonte de crescimento da renda per capita e prosperidade no longo prazo. A expansão na geração de caixa dos empreendimentos mais produtivos estimula novos investimentos, que realimentam o ciclo virtuoso do desenvolvimento da economia. Sendo, portanto, a produtividade tão importante para a exuberância de uma economia, como é possível medi-la e quais fatores a influenciam? A medida usualmente utilizada para calcular a produtividade de uma economia é a Produtividade Total dos Fatores (PTF). Em economias onde há o emprego de novas tecnologias, atuação competente da gestão para tornar os processos mais inteligentes ou a utilização de insumos de melhor qualidade, a PTF é alavancada. Ocorre que avanços na PTF e no estoque de capital físico (máquinas e equipamentos) aumentam a produtividade do trabalho (valor produzido por trabalhador). Isto é, se a mão de obra capacitada encontra condições de trabalho que a permite fazer mais com menos insumos, a produtividade aumenta e o valor por trabalhador avança, espalhando prosperidade na economia.

Em contrapartida, são muitos os fatores que reduzem a produtividade de uma economia, minando o crescimento da prosperidade. Para começar, quando o ambiente econômico de negócios é hostil, há redução do nível de investimento e da diversificação de atividades produtivas. O excesso de burocracia e a tributação desmedida também são prejudiciais, pois, aumentam o custo de operação e o risco do negócio. Aliás, o Brasil é um dos poucos países do mundo em que a expansão comercial é temida pelo empresário, pois, ninguém em sã consciência gostaria de mudar de regime tributário e passar a pagar uma maior alíquota de impostos. Tudo isso para manter uma máquina estatal inchada, ineficiente e perdulária. Na prática, o leviatã estatal, com seu insaciável apetite por taxar, acaba por sufocar o setor produtivo. Gerar riqueza e progredir torna-se uma atividade tão regulada que faz parecer indesejada. Não por acaso, o país perde posições em rankings mundiais de competitividade. Produzir com baixo custo e alta qualidade diante da profusão de regras, papéis, taxas, licenças, carimbos e alvarás, é quase inexequível.

Como seria possível ter segurança para investir, se os legisladores primam por criar leis excessivamente intrusivas e de interpretação dúbia? Como ter segurança jurídica para empreender se predomina o ativismo jurídico e até o nosso passado é considerado incerto? Negócios saudáveis são projetados para durar, mas o ambiente jurídico kafkaniano do Brasil dificulta o planejamento estratégico. Sem um mínimo de clareza a respeito da projeção de cenários futuros, o risco de inovar, buscar novas soluções para os problemas e idealizar novos negócios é proibitivo. É exatamente pela falta de espaço para o processo natural de destruição criativa que as empresas nacionais se tornam presas fáceis para a concorrência internacional, que encontra muito mais liberdade para experimentar, cooperar e prosperar. O Estado com seu dirigismo constitucional e a política de campeões nacionais apenas reforça a dependência dos subsídios estatais ao invés de estimular a concorrência e garantir o direito de propriedade. Ganham as grandes empresas e os setores oligopolizados, que contam com o capital barato do BNDES. Perdem os contribuintes e os pequenos negócios que não conseguem créditos para modernização e ampliação da produção.

Outro aspecto que dificulta o aumento da produtividade no Brasil é a qualificação da mão de obra. Apesar da recente expansão do acesso à educação, a qualidade do ensino brasileiro medido pelo Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (PISA) continua abaixo do que seria razoável em ciências, matemática e leitura. Parece não haver preocupação alguma em preparar a mão de obra para as reais necessidades do mercado de trabalho. Conteúdos genéricos, humanistas e até ideológicos prevalecem sobre o ensino de lógica, de comunicação escrita ou de ciências. Por isso, um enorme contingente de talentos, que poderia estar colaborando para alavancar a prosperidade do país, com a criação de novos negócios e de empreendimentos que transformem problemas em oportunidades, é seduzido pela cultura do funcionalismo público. Todos em busca de estabilidade no emprego, salários acima da média do mercado e aposentadorias especiais; privilégios que concentram renda e inflam a bomba fiscal, prestes a estourar.

Mesmo com investimentos da ordem de 5% do PIB em educação, praticamente a mesma média de investimentos dos países da OCDE (países ricos), o Brasil continua colhendo resultados muito aquém do que seria necessário para um salto de produtividade. O empresário Flávio Rocha, presidente da Riachuelo e líder do movimento Brasil 200, costuma dizer que a educação do Brasil forma perdedores. São profissionais sem o conhecimento mínimo básico de empreendedorismo, de economia e de visão de mundo, e, portanto, muito longe da necessidade atual das empresas, imersas em um cenário de concorrência cada vez mais acirrada. Além disso, muitos profissionais de melhor formação acabam sendo alocados em serviços tradicionais, de baixo conteúdo tecnológico e em setores menos dinâmicos da economia. É o que os pesquisadores do IBRE (Instituto Brasileiro de Economia), no livro Anatomia da Produtividade no Brasil, chamam de baixa taxa de conversão da escolaridade em produtividade.

As deficiências da infraestrutura de produção, transporte e armazenamento também concorrem para a baixa produtividade da economia brasileira. Nenhum outro país de dimensões continentais depende tanto do transporte rodoviário para a conexão de produtores e consumidores como o Brasil. Não faz sentido escoar a enorme produção agropecuária de exportação através de rodovias estreitas, esburacadas e vulneráveis à pilhagem. Perde-se tempo, aumentam os custos e os riscos de acidentes. Tudo isso porque o Estado se recusa a abrir mão da execução e da gestão de obras e estruturas de produção e transporte, que a iniciativa privada faria melhor e mais em conta. O país paga um alto preço em termos de geração de empregos e carestia por insistir na predominância estatal, que ainda traz como corolário o elevado nível de corrupção. São obstáculos engendrados pela ideologia socialista que aprisiona uma das economias de maior potencial do planeta aos caprichos de políticos e burocratas de plantão.

Por fim, a produtividade da economia depende ainda de sua capacidade de integração à economia internacional e da participação de empresas em cadeias produtivas globais. Barreiras protecionistas contra o comércio exterior, restrições aos investimentos e à atuação de profissionais estrangeiros, e a legislação trabalhista paternalista dificultam a divisão de trabalho e a especialização da mão de obra. Na Teoria das Vantagens Comparativas, o economista inglês David Ricardo mostra que não faz sentido um país querer produzir tudo o que consome, ainda que isso seja possível. Como o tempo e os recursos são escassos, focar na produção de bens nos quais o país é mais eficiente, maximiza seus ganhos e os excedentes gerados podem ser usados na aquisição dos demais bens, que de outra forma, seriam produzidos a custos mais elevados e com qualidade inferior aos importados.

Portanto, se o objetivo da nação é proporcionar aos seus cidadãos um maior nível de qualidade de vida, maior conforto material e uma existência mais saudável, é preciso urgentemente abandonar a mentalidade anticapitalista e valorizar a liberdade de ação dos agentes econômicos. Esses são requisitos fundamentais para disseminar a prosperidade, pois, somente o aumento da produtividade faz destravar o ciclo virtuoso da economia. Se isso ocorrer, as empresas se tornam mais lucrativas, os trabalhadores são mais bem remunerados, as condições de trabalho são aprimoradas, os consumidores passam a ter mais opções de bens de qualidade superior e preços baixos e, independente das escolhas individuais, o bem-estar social deixa de ser uma utopia para se tornar uma realidade permanente ao alcance de todos.

sábado, 23 de novembro de 2013

O Mal das Obras Inacabadas

O mal das Obras Inacabadas
Vinícius Montgomery de Miranda
                                                                                                             
Um dos maiores desafios da gestão de uma organização é antecipar-se aos acontecimentos futuros, sem descuidar das atividades operacionais. Lidar com o novo, reagir ao inesperado e adaptar-se às novas condições ambientais são atributos inerentes aos líderes organizacionais que superam momentos adversos à frente de empresas ou governos, conduzindo-os à normalidade. Para isso torna-se necessário conhecer as potencialidades e deficiências da organização e os desafios e oportunidades do ambiente. Os recursos disponíveis precisam ser utilizados da forma mais inteligente possível a fim de alcançar os melhores resultados e atender às necessidades de clientes e cidadãos. Trata-se de uma exigência fundamental dado o atual ambiente organizacional de mudanças constantes, de complexidade crescente e de um alto grau de interdependência entre agentes econômicos e sociais. A falta de planejamento nesse ambiente diminui drasticamente as possibilidades de sucesso da organização. No caso dos governos, a falta de planejamento frequentemente resulta em desperdício do dinheiro público e serviços de pior qualidade.

Infelizmente a realidade é bem distante do que seria ideal. Os agentes políticos e seus partidos, na ânsia de alcançar o poder, cada vez mais se esmeram em produzir campanhas políticas com requintes de marketing; a ponto de conseguirem eleger “um poste”.  O plano de governo tornou-se completamente desnecessário. As decisões de governo tornam-se cada vez mais ideológicas e distantes da racionalidade econômica. Na lógica política vale muito mais dizer que não vendemos empresas a estrangeiros a implantar a meritocracia que exija resultados duradouros. Isso explica um espetáculo triste que se repete a cada dois anos: a corrida desesperada para inaugurar obras, mesmo que estejam inacabadas. Na campanha política de 2010, a transposição do Rio São Francisco, que deveria ter sido concluída em 2011, foi uma das maiores vitrines eleitorais do então presidente-operário e de sua candidata-gestora. Três anos passaram, R$ 8,2 bilhões foram investidos e nenhuma gota de água chegou ao sertão nordestino, que enfrenta a pior seca da história. O concreto usado no leito do canal, construído para transportar o precioso líquido que salvaria vidas, se deteriora. A montanha de recursos empregados no projeto, escoa pelo ralo da incompetência administrativa.

Um levantamento feito pelo IPEA – Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada – com base em dados de 1995 e 2011, mostra que de fato a lógica eleitoral se sobrepõe ao que seria razoável do ponto de vista da gestão. O estudo mostra um expressivo aumento do investimento público em obras em anos pares (anos de eleição) e contenção de gastos nos anos subsequentes. Ou seja, a preocupação com o cronograma e o orçamento das obras simplesmente inexiste. Para o professor Marco Antonio Teixeira, do departamento de Gestão Pública da FGV – Fundação Getúlio Vargas, há um defeito no sistema político brasileiro. Ele permite a reeleição de chefes do Executivo, sem a necessidade de desincompatibilização do cargo. Assim, misturam-se o papel do Executivo, responsável maior pela gestão das cidades, dos estados e da nação, e o papel do candidato, interessado em reeleger-se ou eleger seu sucessor. Trata-se da receita perfeita para desperdiçar os recursos duramente arrancados de cidadãos e de empresas através de uma das maiores cargas tributárias do planeta.

Para não correr o risco de ver suas principais realizações serem creditadas aos sucessores, a maioria dos políticos, espertamente, prefere inaugurar obras inacabadas. Isso para não citar os desvios de verbas, superfaturamentos e outros problemas comuns a obras de grande porte. A falta de conhecimento em economia por parte do cidadão comum, a pobreza dos debates eleitorais, que muitas vezes viram espetáculos de ataques pessoais, e a grande mídia que prefere focar o entretenimento e questões comportamentais a debater os grandes problemas gerenciais do país, contribuem para perpetuar o status quo.


Figuram entre as mais importantes obras inacabadas, muitas vezes objeto de marketing político de candidatos ao Planalto, a ferrovia norte-sul que já recebeu R$ 7 bilhões e cuja construção começou em 1987; a duplicação da BR101 entre Santa Catarina e o Rio Grande do Sul que sugou R$ 2,4 bilhões e deveria ter sido entregue em 2004; o ferroanel de São Paulo; o acesso aos portos; o saneamento básico das grandes cidades, entre muitas outras obras. Sem uma infraestrutura adequada não há a mínima condição de o país desenvolver todo o seu potencial e competir em condição de igualdade com seus pares no cenário global. Passou da hora de reformar a legislação eleitoral para impedir que o cidadão seja enganado pelo marketing político eleitoreiro e de exigir que a gestão pública seja modernizada para seguir as avançadas técnicas de planejamento e organização tão competentemente empregada por empresas privadas brasileiras mundo afora.

sábado, 18 de maio de 2013

O Brasil e a armadilha da renda média


O Brasil conseguirá escapar da armadilha da renda média?
Vinícius Montgomery de Miranda
                                                                                                             
A renda per capita é um dos mais importantes indicadores econômicos de riqueza de uma nação por captar a força do poder aquisitivo de sua população. Esse indicador é obtido dividindo-se o Produto Interno Bruto (PIB), que é a soma da riqueza gerada por um país durante um ano, por sua população. Segundo o Banco Mundial, são considerados países de renda média aqueles que possuem a renda per capita entre US$ 4.000 e US$ 12.000. Em 40 anos, o Brasil saltou de uma renda per capita de um pouco mais de US$ 3.000, no início da década de 1970, para aproximadamente US$ 11.500 em 2010.
Diversos fatores contribuíram para explicar a verdadeira transformação pela qual o Brasil passou nessas quatro décadas. Entre eles a redução da taxa de natalidade, a urbanização e a maior escolarização da população são fatores relevantes. Porém, nada foi tão importante quanto o Plano de Ação Econômica do Governo (PAEG), arquitetado por Roberto Campos e Otávio de Gouveia de Bulhões no governo de Castelo Branco. Esse plano foi responsável pela modernização das instituições e por preparar a infraestrutura que permitiu ao Brasil crescer acima de 8% ao ano desde a metade da década de 1960 até o final da década de 1970. Os choques do Petróleo, o descontrole dos gastos governamentais e a inflação fizeram o crescimento cair drasticamente nas décadas seguintes.
Em um artigo do economista brasileiro Otaviano Canuto e do professor Richard-Agénor da Universidade de Manchester, os autores afirmam, porém, que a mesma estratégia utilizada pelo Brasil e demais países para escapar da pobreza não funciona para torná-los países de renda elevada. É o que os economistas chamam de armadilha da renda média. Isto é, os países que atingem esse nível de renda já não conseguem mais competir com os países de renda baixa, na produção de produtos de menor valor agregado, por terem custos de mão de obra mais baixos. Tampouco conseguem competir com os países de renda elevada, na produção de produtos sofisticados, já que estes exigem alto grau de especialização e tecnologia. Dessa forma, os países de renda média se caracterizam por apresentarem baixo crescimento de produtividade e uma parcela muito pequena de profissionais de alta qualificação focada na produção de produtos inovadores.
Se o Brasil quiser escapar dessa armadilha, será preciso romper com as amarras que seguram a produtividade de sua economia, que segundo estudo de economistas da Fundação Getúlio Vargas (FGV), cresceu apenas 11,3% (menos de 1% ao ano) entre 1992 e 2007. Novamente o país se depara com a necessidade de reformas estruturais que reduzam o tamanho do Estado e estimule o investimento privado. Se assim o fizesse haveria melhoria na infraestrutura, aumento da eficiência produtiva e finalmente, aumento da competitividade do produto brasileiro. Estaria aberta a passagem para o investimento em uma educação de qualidade e na tecnologia de ponta. Essa foi a receita adotada por países como Coreia do Sul e Japão para entrar no clube dos países ricos. Esse é o caminho que a China começou a trilhar há algumas décadas. O que está faltando ao Brasil para dar esse passo? Falta planejamento e vontade política. Por enquanto, conforme entrevista do economista indiano ao site UOL, autor do livro “Os Rumos da Prosperidade”, faltam ao Brasil estrutura e ambição para se tornar um país rico.

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

O Papel do Governo nas Economias Modernas



                                                                                                          
As crises econômicas internacionais reacenderam um debate que parecia não mais fazer sentido: qual o modelo econômico produz mais bem-estar social, o de maior presença do Estado na economia ou o de Estado mínimo? O crescimento vigoroso da China nas últimas duas décadas e as crises na Europa e nos Estados Unidos parecem comprovar que um Estado mais influente produz melhores resultados. Será? Como já fora abordado anteriormente, as crises econômicas sempre existiram. Quando elas ocorrem, os países afetados modificam leis e regulamentos para tornar suas economias mais resistentes a novas crises. Ainda assim, elas se sucedem como as gripes, cujos vírus se modificam e mesmo com vacinação e precaução, continuam afetando as populações de forma ininterrupta.

As crises se agravam por produzirem um clima de insegurança e elevada percepção de risco. O empresário posterga investimentos e o cidadão reduz seu consumo. A solução passa então, pela intervenção do governo restabelecendo a confiança dos agentes econômicos (política conhecida como anticíclica). As economias modernas aprenderam, entretanto, que passada a crise, o Estado deve voltar ao seu papel regulador de criar as regras do jogo e permitir a competição entre empresas. Essa competição leva à redução de preços e à criação de inovações, melhorando a vida das pessoas. Não existe país do mundo que tenha melhorado as condições de vida de seus cidadãos, abrindo mão da competição. Nem a China.

O Brasil infelizmente ainda hesita entre qual modelo econômico adotar. A economia brasileira tem se modernizado a passos lentos, principalmente quando comparada a países asiáticos. O Estado brasileiro é pesado e ineficiente. Ele não tem capacidade de investir em infraestrutura para aumentar a produtividade de empresas e cidadãos. Não investe e não abre espaço para as empresas privadas fazê-lo. Ele suga parcela significativa da poupança privada que deveria ser canalizada para os investimentos. Sem investimentos, não há modernização. Sem uma infraestrutura moderna e reformas que reduzam a burocracia, os custos se elevam. Fica muito difícil competir com os asiáticos. Empresas e pessoas perdem tempo e dinheiro em filas. Em plena era digital predomina a papelada. A qualidade de vida se deteriora em trânsito ruim, insegurança, educação e saúde precária. O Brasil continua sendo o país do futuro e nunca do presente.