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domingo, 23 de junho de 2013

O assistencialismo e a competição

O assistencialismo e a competição
Vinícius Montgomery de Miranda
                                                                                                             
Os biólogos que cuidam de animais selvagens criados em cativeiro sabem que é muito complicada sua readaptação ao habitat natural. Esses animais perdem a capacidade de lutar pela sua própria sobrevivência, ganham peso e adoecem. Atletas de alta performance também sabem que poucos dias sem atividades físicas atrofiam músculos, faz diminuir a massa muscular e aumentam o percentual de gordura no corpo. Essa é a lei natural da vida. O homem e todos os seres vivos foram criados para a competição.
No ambiente econômico, a competição entre empresas é a raiz de todo o processo de inovação de produtos e serviços. É para conquistar mais clientes e aumentar resultados que as empresas se arriscam, investindo em ideias que se transformam em novos produtos. A seleção natural econômica premia as empresas mais eficientes e mais inovadoras, garantindo-lhes a sobrevivência. Goste-se ou não, o homem não tem poder de alterar essa lei da vida. Quando tenta fazê-lo, o resultado é desastroso; como se observa em países como Cuba, Coreia do Norte ou Venezuela, onde a qualidade de vida piora a cada ano.
Por outro lado, os países que entendem que a competição é bem-vinda, atingem elevado grau de desenvolvimento. Muitas vezes, mesmo sendo pobres em recursos naturais, como é o caso do Japão, tornam-se inovadores, desenvolvem uma indústria dinâmica e elevam a qualidade de vida de sua população. O Brasil e grande parte dos países da América Latina receberam uma herança cultural, histórica e religiosa que abomina a competição. Dessa forma, mesmo com toda a riqueza natural que possuem, não conseguem romper com as amarras que os prendem na condição de subdesenvolvidos.
No caso do Brasil, infelizmente a sociedade hesita em valorizar os cidadãos que se esforçam para ter uma vida digna. Muito pelo contrário. Para esses cidadãos sobram burocracia e tributos. Portanto, há um verdadeiro incentivo à cultura do mínimo esforço. É como se houvesse uma punição pelo esforço próprio, diante das benesses do dolce far niente. Daí a grande popularidade de programas sociais como o da Bolsa-Família. O que era para ser uma ajuda emergencial com o objetivo de reduzir a pobreza e diminuir a disparidade de renda, tornou-se meio de vida. A lógica da assistência social é que ela deveria durar apenas o suficiente para que o beneficiado se capacitasse para retornar ao mercado de trabalho. Entretanto, o que se observa país afora é que muitos chefes de família preferem manter-se na condição de desempregados ou de trabalhadores informais para continuar recebendo ajuda estatal. Os políticos espertalhões agradecem. Trata-se do voto cabresto institucionalizado, potencializado pela baixa escolaridade.

O problema maior desse assistencialismo são as oportunidades perdidas pelo país. Não há na história econômica da humanidade país que tenha se transformado sem valorizar o esforço de seus cidadãos. Coreia e China são exemplos de nações que conseguiram superar adversidades ao apostar na meritocracia e na educação. Não há segredo. Uma população mais escolarizada torna-se mais preparada para a competição do mundo atual. Os empregos são melhor remunerados. Novos negócios surgem. A qualidade de vida avança. Por que então insistir em um modelo que não deu certo em lugar algum? Porque o modelo atual gera domínio e dependência. Beneficia quem está no poder. Porque não há projetos para o país e principalmente porque quando as consequências negativas do modelo chegar, talvez o governo seja outro. E como diria John Maynard Keynes, no longo prazo todos estaremos mortos. 

terça-feira, 28 de agosto de 2012

As Instituições e o Desenvolvimento das Nações


As Instituições e o Desenvolvimento das Nações
Vinícius Montgomery de Miranda
                                                                                                             
Faz muitos séculos o homem se pergunta por que alguns países se enriquecem e outros se mantêm imersos na pobreza. Em 1776, o filósofo escocês Adam Smith publicou a obra A Riqueza das Nações, cujo objetivo era exatamente investigar tal questão. Smith concluiu que a riqueza das nações resultava da atuação dos indivíduos que movidos por interesses próprios promoviam o crescimento econômico e a inovação tecnológica, gerando um ciclo virtuoso que impulsiona o desenvolvimento. Por suas ideias Smith tornou-se conhecido como o pai da economia moderna e um dos principais defensores do capitalismo.
É inegável que o capitalismo faz gerar riquezas, promovendo o crescimento econômico e o desenvolvimento das nações, mas o economista norte-americano Douglass North afirma que nenhum país consegue crescer de forma consistente por um longo período de tempo, sem que antes desenvolva de forma sólida suas instituições. Instituições são as regras do jogo para o correto funcionamento da economia. Portanto, para que um país tenha instituições fortes é preciso uma legislação clara que garanta os direitos de propriedade e que impeça o desrespeito aos contratos. Para isso é necessário um sistema judiciário eficaz e ágil, além de agências regulatórias firmes e atuantes. North afirma que só assim, um país pode estar preparado para dar o salto para o desenvolvimento.
Historicamente, o primeiro país a perceber a força das instituições no desenvolvimento econômico foi o Reino Unido, quando a Revolução Gloriosa de 1688 acabou com o absolutismo e o parlamento britânico aprovou a Bill of Rights, a declaração a partir da qual nenhum governante poderia estar acima das leis. Com as regras do jogo estabelecidas e com o individualismo consentido, prosperou a ciência, a inovação e o desenvolvimento econômico que fez do Reino Unido e depois dos Estados Unidos potências econômicas e países desenvolvidos. A pergunta que fica é: estaria o Brasil preparado para o salto do desenvolvimento?
Dica de leitura sobre esse assunto: Livro Why Nations Fail de Daron Acemoglu e James Robinson.

Artigo publicado no Jornal O Sul de Minas em 14 de Julho de 2012. Edição Nº 3.506.