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Isaías 9.6.

Um menino nos nasceu, um filho se nos deu, e o principado está sobre os seus ombros, e seu nome será: Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da eternidade, Príncipe da Paz.

domingo, 19 de junho de 2011

Os pontos mais elevados de Itajubá

Segundo o mapa topográfico de Itajubá do IBGE (Versão 1971) os pontos mais elevados de Itajubá e arredores são:
1) Pedra de Santa Rita do Rio Manso = 1747 m de altitude. 1.989 m (medido pelo GPS).
2) Pedra Aguda = 1547 m.
3) Pedra Amarela = 1457 m.
4) Pedra do Juru (Frade) = 1261
5) Pedra Vermelha = 1151 m.
6) Pedra Preta = 1150 m.

Pico da Bandeira (Maria da Fé) = 1647 m.
Pedrão (Maria da Fé) = 1464 m.

Por medição através do GPS, os pontos mais elevados são:
1) Pedra de Santa Rita do Rio Manso = 1.989 m.
2) Pedra Amarela = 1.757 m.
3) Pedra Aguda = 1.557 m.

Por que os países capitalistas se desenvolvem mais que os socialistas?

Uma coisa que me deixa intrigado é por quê ideologias políticas são perseguidas por tanto tempo, mesmo causando pobreza, sofrimento e até a morte. A despeito das ideologias, é fato que os países ricos são muito mais capitalistas que socialistas. Por quê? Simples, o socialismo não produz o ciclo virtuoso da economia, como ocorre com o capitalismo. E qual é esse ciclo?
Condição básica do capitalismo: existir competição. A competição entre empresas por mercados, em busca do lucro, faz com que internamente se busque reduzir desperdícios e ineficiências produtivas. Ao fazê-lo, a empresa ganha produtividade. Em outras palavras, produz mais com menos matéria-prima, menos energia, menos mão-de-obra. Logo, seu custo de produção se reduz. Acontece que todos os concorrentes buscam essa máxima eficiência produtiva que Taylor chamou de Best Way. Se todos os competidores alcançam o best way, reduzindo seu custo de produção e consequentemente baixando os preços dos produtos no mercado para conquistar clientes do concorrente, o que ocorre com o lucro? Preços mais baixos reduzem a margem de lucro e o empresário é obrigado a inovar para voltar aos lucros extraordinários. Acontece que a busca por inovação depende de desenvolvimento científico, de pesquisa e de mão-de-obra capacitada. Ao buscar isso, o país ganha mais produtividade, passa a ter inovação constante e a destruição criativa de Schumpeter começa a ocorrer, gerando novos empregos. Esses novos empregos exigem pessoas mais capacitadas com maior conhecimento científico e maior nível de escolaridade. Pessoas mais capacitadas ganham melhor e compram mais. Logo, a demanda se eleva e a produção precisa crescer, gerando mais empregos, mais renda e mais investimento empresarial. Exatamente o que produz desenvolvimento econômico. Já o socialismo acredita que o estado pode tudo e que não há necessidade de competição entre empresas. Mas o estado é inerentemente ineficiente e sem competição não há inovação, portanto, o ciclo virtuoso da economia não acontece.
O capitalismo não é perfeito. Se não houver limites impostos pelas instituições (leis), ele pode esgotar os recursos naturais e marginalizar pessoas. Daí entra em cena o verdadeiro papel do estado. Cabe ao estado criar as leis, as regras que limitam a força capitalista e deixam a competição menos desigual. Cabe ao governo criar condições de capacitar pessoas. Se o estado não faz a parte dele, a culpa do fracasso não é do capitalismo e sim do estado. Infelizmente essa lógica capitalista é desconhecida pelas pessoas que ainda se iludem com o fracassado socialismo.

domingo, 16 de janeiro de 2011

Ferreira Gullar - Folha SP de 16/01/11

FERREIRA GULLAR
Quando dois e dois são quatro




O tempo se encarregará de pôr as coisas no lugar. O presidente Médici também obteve 82% de aprovação


TALVEZ SEJA esta a última vez que escreva sobre o cidadão Luiz Inácio Lula da Silva, ex-presidente do Brasil. Com alívio o vi terminar o seu mandato, pois não terei mais que aturá-lo a esbravejar, dia e noite, na televisão, nem que ouvir coisas como esta: "Ele é tão inteligente que fala todas as línguas sem ter aprendido nenhuma". Pois é, pena que não fale tão bem português quanto fala russo.
É verdade que tivemos, ainda, que aturá-lo nos três últimos dias do mandato, quando "inaugurou" obras inexistentes e fez tudo para ofuscar a presidente que chegava.
Depois de passar a faixa, foi para um comício em São Bernardo, onde, até as 23h, continuava berrando no palanque, do qual nunca saíra desde 2002.
Aproveitou as últimas chances para exibir toda a sua pobreza intelectual, dizendo-se feliz por deixar o governo no momento em que os Estados Unidos, a Europa e o Japão estão em crise.
Alguém precisa alertá-lo para o fato de que a crise, naqueles países, atinge, sobretudo, os trabalhadores. Destituído de senso crítico, atribui a si mesmo ("um torneiro mecânico") o mérito de ter evitado que a crise atingisse o Brasil. Sabe que é mentira mas o diz porque confia no que a maioria da população, desinformada, acreditará.
Isso dá para entender, mas e aqueles que, sem viverem do Bolsa Família nem do empréstimo consignado, veem nele um estadista exemplar, que mudou o Brasil? É incontestável que, durante o seu governo, a economia se expandiu e muita gente pobre melhorou de vida. Mas foi apenas porque ele o quis, ou também porque as condições econômicas o permitiram?
Vamos aos fatos: até a criação do Plano Real, a economia brasileira sofria de inflação crônica, que consumia os salários. Qual foi a atitude de Lula ante o Plano Real? Combateu-o ferozmente, afirmando que se tratava de uma medida eleitoreira para durar três meses.
À outra medida, que veio consolidar o equilíbrio de nossa economia, a Lei de Responsabilidade Fiscal, Lula e seu partido se opuseram radicalmente, a ponto de entrarem com uma ação no Supremo para revogá-la. Do mesmo modo, Lula se opôs à política de juros do Banco Central e ao superávit primário, providências que complementaram o combate à inflação e garantiram o equilíbrio econômico. Essas medidas, sim, mudaram o Brasil, preservando o valor do salário e conquistando a confiança internacional.
Lembro-me do tempo em que o preço do pão e do leite subia de três em três dias. Quem tinha grana, aplicava-a no overnight e enriquecia; quem vivia de salário comia menos a cada semana.
Se dependesse de Lula e seu partido, nenhuma daquelas medidas teria sido aplicada, e o Brasil -que ele viria a presidir- seria o da inflação galopante e do desequilíbrio financeiro. Teria, então, achado fácil governar?
Após três tentativas frustradas de eleger-se presidente, abandonou o discurso radical e virou Lulinha paz e amor. Ao deixar o governo, com mais de 80% de aprovação, afirmou que "é fácil governar o Brasil, basta fazer o óbvio". Claro, quem encontra a comida pronta e a mesa posta, é só sentar-se e comer o almoço que os outros prepararam.
A verdade é que Lula não introduziu nenhuma reforma na estrutura econômica e social do país, mas teve o bom senso de dar prosseguimento ao que os governos anteriores implantaram. A melhoria da sociedade é um processo longo, nenhum governo faz tudo. Inteligente, mas avesso aos estudos, valeu-se de sua sagacidade, já que é impossível conhecer a fundo os problemas de um país sem ler um livro; quem os conhece apenas por ouvir dizer não pode governar.
Por isso acho que quem governou foi sua equipe técnica, não ele, que raramente parava em Brasília. Atuou como líder político, não como governante, e, se Dilma fizer certas mudanças, pouco lhe importará, pois nem sabe ao certo do que se trata. Para fugir a perguntas embaraçosas, jamais deu uma entrevista coletiva. Afinal, ninguém, honestamente, acredita que com programas assistencialistas e aumento do salário mínimo se muda o Brasil.
O tempo se encarregará de pôr as coisas em seu devido lugar. O presidente Emílio Garrastazu Médici também obteve, em 1974, 82% de aprovação.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Irresponsabilidade de um governo

O governo Lula que se encerrou há uma semana pode até ter produzido alguns bons resultados econômicos-sociais (que pode ser atribuído mais a estabilidade alcançada pelo governo anterior do que propriamente à Lula), mas foi uma catástrofe em termos morais e no que diz respeito ao futuro.
Trata-se de um governo que não tem nenhum respeito pelas Instituições. Como diz o norte-americano Doglass North "não existe país verdadeiramente forte e sólido" com Instituições fracas.
Poder-se-ia enumerar as diversas vezes que o governo Lula fez pouco caso das Instituições: escândalo do mensalão, escândalo dos dossiês (2006 e 2010), Enem, Caseiro, ataque à imprensa, aliança com Venezuela, Irã e Cuba, caso Césare Batisti e para fechar com chave de ouro a emissão de Passaportes diplomáticos aos filhos e netos.
Economicamente falando, o Brasil está com uma inflação elevada em 2010/2011 grande parte devido à irresponsabilidade dos gastos governamentais desenfreados. O receituário básico da economia é elevar juros para deter o aumento da inflação. Lula se recusou a todo custo elevar a taxa de juros, afinal, precisava manter a popularidade em alta para ganhar a eleição. Por outro lado, as exportações de produtos manufaturados brasileiras perdem espaço dia após dia devido à falta de competitividade de nossa economia. Isso significa que perdemos empregos e produção de maior valor agregado por termos uma carga tributária escorchante (consequência dos gastos desenfreados), burocracia absurda, infraestrutura precária (estradas, aeroportos que Lula insistiu mantê-los estatal, ao contrário do resto do mundo moderno, banda larga, etc.), falta de capacitação da mão-de-obra, etc.
Enfim, apesar da aparência de país grande e importante, Lula conseguiu manter o Brasil mais próximo do atraso do que nunca. Voltamos a ser exportadores de produtos primários. Nossa educação é um caos. Nossos aeroportos e portos atrasados. Nossas estradas estão em buracos. Quem é amigo do rei pode ter Passaporte especial, para os TOLOS (Brasil um país de tolos) é preciso enfrentar filas e pagar taxas e mais taxas.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

O Brasil que trabalha está cansado de carregar o Brasil de TOLOS nas costas

Alguns leitores me perguntam o que eu penso sobre a tal “refundação” do PSDB. Acho esse assunto chato por uma penca de motivos. O principal deles é que, salvo engano, foi o senador eleito Aécio Neves (MG) quem tocou primeiro no assunto. Quem achar a tal refundação necessária estará com Aécio e com o PSDB de Minas; quem não se encantar com a idéia, com Serra e com o PSDB de São Paulo… De novo isso? Por quanto mais tempo essa falsa clivagem irá fazer mal ao próprio partido e à consolidação de uma oposição consistente ao lulo-petismo — que é bem mais amplo do que o PT?




Eu não sei o que é “refundação”. Como ninguém a definiu até hoje, não sou o único. A mim me parece uma dessas expressões mágicas que, na ambição de ser muita coisa, acaba sendo coisa nenhuma. Aécio já havia lançado, ainda pré-candidato, lá atrás, a tese do “pós-lulismo”. Do modo como o PT conduziu a campanha, centrada inteiramente na figura de Lula, um candidato que se apresentasse como “pós-lulista” seria logo transformado em “antilulista”. Em vez dos 43 milhões, de votos, talvez tivesse 33 milhões…



O que é refundar? Lembro que a palavra foi muito empregada por Tarso Genro logo depois da crise do mensalão. Ele falava em “refundar” o PT. Não que, e percebemos isso depois, a sua moralidade pessoal e sua ética política fossem muito distintas das de seu grupo. É que ele queria aproveitar aquele processo para se livrar de alguns adversários internos. Em vez de “refundação”, que poderia virar uma variante da expiação, o PT fez a coisa certa — do seu exclusivíssimo ponto de vista— e partiu para o ataque. As conseqüências são conhecidas.



Eu estou entre aqueles que acreditam que o PSDB precisa, sim, se orgulhar de seu passado — tem fugido dele nas campanhas eleitorais e na luta parlamentar —, descobrir o eleitor pagador de impostos, uma massa muito mais ampla do que parece, e falar para o eleitorado real, o que está nas ruas, ausente dos manuais “progressistas” de sociologia. Em breve, vocês lerão um texto meu mais alentado a respeito, com mais fôlego.



Isso é “refundação”? Aqui e ali vejo tucanos a afirmar que o partido precisa estar mais presente na sociedade”, voltando a ter capilaridade nos movimentos sociais. Voltando? Já teve algum dia esse tipo de inserção que, no fundo, é o modelo petista de partido? O que os tucanos pretendem? Disputar sindicatos com o PT? Vai perder. Disputar movimentos sociais com o PT? Vai perder. Disputar o “coração progressista” da galera com o PT? Vai perder.



Quem deu duas eleições presidenciais ao PSDB foi o Plano Real, não a tal “inserção na sociedade”. Se, por inserção, for entendido aparelhamento da sociedade pelo partido, podem esquecer: esse não é o PSDB; tal espaço já está devidamente ocupado pelo PT e por esquerdistas menos influentes. Um partido de oposição ao lulo-petismo, qualquer que seja ele, logrará sucesso se aprender a ocupar o espaço que, na democracia brasileira, está vago: o do conservadorismo. Foi a mudança segura, “conservadora”, do Plano Real que levou os tucanos ao poder.





O PT se considera tão por cima da carne seca que se dá ao luxo de nomear a oposição que considera qualificada. Na semana passada, Tarso Genro, agora governador eleito do Rio Grande do Sul — aquele que queria “refundar” o PT e foi tratorado por José Dirceu — afirmou que uma oposição liderada por Aécio seria mais positiva para o governo Dilma e para o Brasil do que uma liderada por José Serra porque o mineiro seria “mais centrista” do que o paulista, que estaria muito “à direita”. Chegou mesmo a flertar com a possibilidade de apoiar Aécio para a presidência do Senado. Na prática, Genro voltou a exercitar o esporte de certas correntes políticas no Brasil: atacar São Paulo.





Segundo Genro, Serra está mais “à direita” do que Aécio, daí porque, entende ele, este é mais qualificado para liderar a oposição do que aquele — oposição que o ex-ministro da Justiça avalia ter sido muito dura, violenta mesmo!!! Como Taro Genro não conseguiu “refundar” o PT, ele agora tenta ajudar a “refundar” o PSDB, com o interesse que um petista de alto coturno tem no fotalecimento da oposição, naturalmente…



Partidos perdem e ganham eleições nas democracias consolidadas. Ninguém fica se refundando a cada vitória ou derrota. O PT, por exemplo, não aceitava composição com partido “burguês” em 1989 — recusou o apoio de Ulysses Guimarães contra Fernando Collor naquele ano… Chegou à situação de hoje, quando faz alianças as mais amplas possíveis, sem “refundar” coisa nenhuma: continua, acredite se quiser, a se dizer um partido socialista e interessado em construir uma alternativa universal ao… capitalismo.



O PSDB não precisa de “refundação” para valorizar sua história, descobrir o brasileiro pagador de impostos e atentar para o fato de que amplas camadas do eleitorado — a provável maioria — cultiva valores conservadores. Serra, Aécio ou J. Pinto Fernandes (o “que ainda não havia entrado na história”, no poema de Drummond) deve comandar esse processo? Sei lá eu. O que sei é que Tarso Genro não chega a ser a pessoa mais indicada para escolher o líder da oposição — e Aécio não tem nada com isso; não creio que a admiração devotada do petista lhe possa ser especialmente útil, diga-se.



Noves fora, uma coisa é certa: um partido de oposição costuma fazer… oposição! E sem pedir desculpas por isso, como se não fosse esse o papel que lhe delegou a democracia.



Por Reinaldo Azevedo

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Para que servem as oposições? Por Reinaldo Azevedo

Caros,


um daqueles textos longos, puxando a orelha das oposições. Vamos lá.



Qual é a melhor hora para se opor ao governo? A resposta é esta: sempre! E refiro-me a qualquer oposição e a qualquer governo. E deixo claro que o exercício do contraditório não quer dizer sabotagem — a exemplo do que fazia o PT no governo FHC. Para ser justo, agiu do mesmo modo em todos os governos, inclusive no do agora aliado nº 1, José Sarney. Para ser legítima, uma oposição não precisa rejeitar tudo o que o adversário propõe, mas uma coisa é certa: se ela abre mão da vigilância, aí está perdida. É o caso de indagar: o que anda fazendo a oposição no Brasil neste momento? Resposta: dando um tiro no próprio pé. Antes que me detenha a esse aspecto em particular, quero trazer algumas coisas à memória.



A Congresso aprovou, finalmente, o regime de partilha para o pré-sal. Partilha por quê? A explicação tosca, infundada, é que o modelo da concessão servia para a exploração nas outras áreas, mas não no pré-sal, que seria, na expressão tolinha de Lula, adotada por Dilma Rousseff na campanha, um “bilhete premiado”. O antigo sistema levou o Brasil perto da auto-suficiência. No governo FHC, a produção de petróleo dobrou — o que desmoraliza o discurso vigarista de sucateamento da Petrobras. A mudança tem muito de preconceito ideológico — e até ele é meio falsificado. O risco da exploração por partilha é todo do Brasil. As empresas que vão atuar na área não têm do que reclamar. Mas não quero me estender nesse aspecto em particular. O fundamental é que o pré-sal foi aprovado, e, sobre a oposição, a gente poderia cantar com Cassiano (lembram-se?): “nem sequer ouvi falar seu nome”… Deixaram a senadora Kátia Abreu (DEM-TO) sozinha, a defender a coisa certa.





Há dois dias, o ministro Guido Mantega veio a público para afirmar que será preciso, sim, cortar verba de obras do PAC porque o cobertor ficou curto. A oposição fez de conta que não ouviu. Curiosamente, quem reagiu foi o já quase ex-chefe do ministro: Luiz Inácio Lula da Silva. Dado o silêncio dos adversários, o PT encontra tempo de ficar brigando consigo mesmo. Os oposicionistas só não ficaram mais mudos do que Dilma… Mantega fala num dia, e Lula o desmente no dia seguinte, quase ao mesmo tempo em que Paulo Bernardo vai à Comissão de Orçamento para anunciar uma superestimação de receita de R$ 12 bilhões — em suma, estamos de volta àquele mesmo corte a que se referia o ministro da Fazenda. Mas o governo ficou lá se dando ao luxo de bater cabeça. Não havia por que temer que a oposição explorasse a questão, certo? Quando menos, Dilma deveria ser cobrada pelo cenário róseo com que acenou às massas.



Os desatinos da política de segurança pública do Rio, se querem saber, pedem também uma crítica — não para crucificar o estado ou a política deste ou daquele. A espantosa quantidade de droga encontrada na Vila Cruzeiro e no Complexo do Alemão — e se deve supor que não se trata da maior parte do estoque — pede que se chame esse governo às falas. O Brasil não produz cocaína — vem quase toda da Bolívia, do “companheiro” Evo Morales. Boa parte daquela maconha tem origem no Paraguai, do “companheiro” Fernando Lugo. Com diria Chico Buarque, o Brasil prefere falar grosso com Washington e fino com essa gente. A Evo, deu uma Petrobras de presente, depois que ele a tomou com homens armados. A Lugo, o reajuste da energia de Itaipu. Nem Bolívia nem Paraguai se organizam minimamente para combater o tráfico em seu país. E, evidentemente, há a responsabilidade do governo brasileiro, que é quem vigia as fronteiras, por onde passam drogas e armas. Mas as oposições se calaram feito múmias, mesmerizadas pelo espetáculo midiático nas favelas.



E mais haveria para falar: o candidato do PSDB, José Serra, propôs a criação do Ministério da Segurança Pública justamente para federalizar uma resposta ao desastre em curso no país, que encontra no Rio apenas a sua expressão mais aguda. Foi duramente combatido por Dilma e pelo governo federal. A solução estaria nas tais Unidades de Polícia Pacificadora, que a petista prometeu estender a todo o país. Na forma aplicada, não são modelo de nada. O Exército só está nos morros em razão da conjugação de várias ineficiências do governo federal e das trapalhadas de Sérgio Cabral. Mas também sobre isso não se dá um pio.



Oposições existem para vigiar, para apontar erros, contradições, para tentar melhorar as propostas apresentadas pelo governo, para confrontar suas teses com as dos adversários, para mobilizar o espírito crítico da população, para fazer o debate. E, pois, não há tema sobre o qual não possa e não deva se pronunciar. Até uma fala mais ou menos acertada dos adversários pode servir ao que chamarei aqui de “CONFRONTO DO ESCLARECIMENTO”. Dilma criticou em entrevista ao Washington Post a abstenção do Brasil na sessão da ONU que condenou a violação aos direitos humanos no Irã. Ela o fez segundo princípios errados: lembrou sua condição de mulher e tachou o apedrejamento de “medieval”. E se fosse por radiação ou injeção letal? E se fosse um homem? A questão, como comentei naquele dia, não está na forma ou no “gênero”… Ora, então as oposições não têm nada com isso de novo? Não vão lembrar da omissão da “candidata” Dilma Rousseff? Não vão puxar as orelhas de Celso Amorim, acusando-o de ter ultrapassado a linha até segundo a opinião de seus aliados? Não! Ninguém dirá nada!



Mais um motivo? Já se conhece a versão preparada pelo governo para implementar o “controle social da mídia”. Na prática, é controle de conteúdo. Um ou outro oposicionistas esboçaram um protesto, mas tudo muito modesto, dada a gravidade da coisa.



Em vez disso…

Em vez disso, o que temos hoje é um DEM conflagrado e um PSDB que promete pequenas emoções. Partido que troca tapas fora do poder não comove nem move ninguém. Lula diria que é mais ou menos como torcidas organizadas do time que está perdendo ficarem se socando na arquibancada. Nem a polícia intervém; elas que se virem. Não! As coisas não vão bem.



Na ausência de Serra, o senador eleito Aécio Neves vai a São Paulo almoçar com quem venceu a eleição: Geraldo Alckmin. No cardápio, certamente esteve o futuro do PSDB. Como capitão de um time dos antigos campinhos de bola, o ex-governador de Minas já reservou um papel para o presidenciável derrotado em 2010: juntar-se a FHC e Tasso para reescrever os fundamentos do tucanato — ou algo assim. Na seqüência, Aécio decidiu se encontrar com parte da direção do DEM, na véspera da reunião da cúpula do partido, que está dividida (ver post na home), para deixar claro com quem está sua interlocução privilegiada.



Em dois dias, a tensão no PSDB e do DEM aumentou em vez de diminuir, e se viu uma clara interferência do líder de um partido em outro — tratado como uma espécie de futuro satélite. Sou aborrecidamente claro: por mim, o PT não teria vencido já em 2002. Vitorioso, considerava importante a sua derrota em 2006 e em 2010… É simples: não compartilho de suas “utopias” (para empregar uma palavra neutra). Acho que, no governo, faz mal para a democracia brasileira. É autoritário. Escrevi milhares de texto explicando por quê. Aécio reúne todas as condições para ser presidente da República — e milhões de eleitores (por enquanto, mineiros) também acham isso. Por que não vencer o PT com Aécio?



Com a clareza e falta de ambigüidade de sempre, digo, no entanto, que realmente não considero que seja esse um bom caminho. Se achasse, estaria aqui aplaudindo. Antes de me atacar, os aecistas fariam melhor para a sua própria causa de ponderassem. Salvo o inesperado, a velha força do destino — e como especular a respeito? —, a desorganizar o edifício petista, essas práticas mais servem o governo do que a oposição.



Observadores atentos já perceberam, a esta altura, que o governo Dilma É O MAIS PAULISTA DE TODOS OS GOVERNOS HAVIDOS EM MUITAS DÉCADAS — se é que não se trata do mais paulista da história: não necessariamente em número de ministros, mas na importância que têm os representantes de São Paulo. Aécio já tem Minas, sabemos. Acreditar que pode haurir algum benefício estimulando a eventual cizânia em São Paulo é um tiro no próprio pé e, ouso dizer, um tiro no peito do PSDB do estado. Se os tucanos não tomarem cuidado, ficam como a Helena do Machado de Assis: “Perdi tudo, Padre Mestre!”



Encerro

Ninguém ainda descobriu papel mais adequado para a oposição do que… opor-se ao governo. Se Aécio quer ser presidente da República — e ele quer e tem condições de sê-lo —, não o será tornando ainda mais frágil e conflagrada uma oposição que mal consegue apontar os descaminhos do governo porque muito ocupada em cuidar de seus adversários internos. Sim, muitos dirão que estou errado e que o caminho é esse. 2002, 2006 e 2010 estão aí para provar. Em 2014, caso Dilma não queira ou não possa ser candidata, o PT virá com Lula de novo, que, atenção!, nos próximos quatro anos, será aquele que foi sem nunca ter ido.



Tucanos — e, agora, até os democratas — estão se tornando especialistas em mostrar como vencer os adversários internos. É uma pena que ainda não tenham encontrado o caminho para vencer os externos. Tenho uma sugestão a lhes fazer; na verdade, uma grande idéia:



QUE TAL SE COMPORTAR COMO OPOSIÇÃO?



Por Reinaldo Azevedo

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Brasil um país que NUNCA vai dar certo

Esse país não é uma nação. É cada um por si. São 190 milhões de gersons. Trabalhar e estudar pra quê? Tudo é possível para os amigos do Rei. Pobre país. O honesto e o batalhador trabalha e paga imposto e o "coitadinho" que não quer levantar cedo, não quer trabalhar nem estudar, recebe a assistência social...